Sobre o laboratório

O Laboratório de Imunopatologia atua de forma multidisciplinar, com destaque para as áreas de imunologia, bioquímica, biologia celular e molecular, na investigação da composição de venenos de animais peçonhentos a fim de desvendar as vias e mecanismos de ação desencadeadas pelas toxinas destes animais. Essa estratégia é fundamental para o desenvolvimento de estudos voltados ao entendimento da ação de toxinas e moléculas com potencial terapêutico em diferentes sistemas in vitro e in vivo.

Ao longo de sua história, o Laboratório de Imunopatologia tem identificado e isolado na forma nativa ou produzido na forma recombinante diversas moléculas provenientes de venenos animais. Estas investigações têm permitido avaliar moléculas com potenciais antitumoral, antitrombótico e moduladores da resposta imune, entre outros, que possam ser a base para o desenvolvimento de biofármacos. Com diferentes abordagens experimentais, o laboratório também estuda o processo de ativação e controle do sistema imunológico. Além disso, os pesquisadores atuam no apoio à produção de soros para avaliar sua eficácia frente a venenos de regiões remotas do Brasil ou de outros países da América Latina.

Recentemente, diante da necessidade emergencial de respostas à Covid-19, o laboratório passou a se envolver em projetos multidisciplinares, como o Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS), para avaliação da imunidade protetora e melhoria das vacinas frente às variantes de preocupação circulantes. Dessa forma, os pesquisadores estão comprometidos na busca de plataformas cada vez mais modernas para contribuir com a saúde pública. Para atender às demandas institucionais e mantendo a proposta científica acadêmica dentro da qual o Laboratório de Imunopatologia foi estruturado, as linhas de pesquisa atuam nas seguintes temáticas:

1. Obtenção e exploração de moléculas: anticorpos e toxinas na forma nativa e recombinante, tanto para o estudo de patologias dependentes de adesão celular como ferramentas que atuem como potenciais inibidores dessas patologias e partículas pseudovirais, com o objetivo de otimizar e incrementar a soroterapia e imunodiagnósticos.

2. Compreensão tanto do quadro dos envenenamentos como da variabilidade e diversidade de toxinas, além das reações adversas causadas por veneno e soro antipeçonhento.

3. Estudo dos mecanismos envolvidos na resposta imunológica e processos imunopatológicos utilizando moléculas de origem animal, antígenos proteicos, nanoestruturas, entre outros, visando o esclarecimento da regulação do sistema imune.

Na rota de produção de soros hiperimunes antiveneno, a segurança e eficácia para diferentes regiões passa necessariamente pelo conhecimento acurado da composição da peçonha das serpentes e por ensaios pré-clínicos. Neste sentido, os pesquisadores trabalham com a caracterização da composição e variabilidade intraespecífica de venenos de serpentes de importância médica da Amazônia brasileira e de países da América Latina, bem como ensaios pré-clínicos que garantem a eficácia dos soros produzidos no Instituto Butantan para acidentes ocorridos nessas regiões. Estes estudos têm também grande importância em ciência fundamental porque contribuem para elucidar os aspectos ecológicos e evolutivos que modulam a composição e variabilidade dos venenos das serpentes.

Pesquisadora envolvida:

• Ana Maria Moura da Silva


O sistema imunológico participa da homeostasia dos indivíduos mediando a defesa contra infecções por diferentes microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, e por moléculas com potencial patogênico que são ativadas durante os envenenamentos – tanto na eliminação das toxinas do veneno, como no reparo do local da picada. Esse sistema é formado por células e fatores solúveis que estão diretamente envolvidos nos mecanismos da resposta imunológica. Outra característica importante do sistema imune é sua capacidade de gerar a memória imunológica contra microrganismos, impedindo a reinfecção. Por outro lado, o desequilíbrio na ativação do sistema pode ocasionar desordens imunológicas. O laboratório tem estudado os mecanismos de ativação e regulação da resposta imunológica avaliando diferentes populações de células da imunidade inata e adaptativa, assim como a produção de anticorpos específicos e neutralizantes, utilizando diferentes estratégias experimentais in vitro e in vivo.

Pesquisadora envolvida:

• Eliana Faquim De Lima Mauro


Uma das dificuldades do estudo da composição das secreções animais é a obtenção do animal e o isolamento das moléculas presentes nesses fluidos em quantidades suficientes que permitam caracterizá-los. A fim de resolver estas limitações e explorar uma vasta gama de toxinas e secreções de animais (peixes, aranhas, serpentes, lacraias, artrópodes etc.), são utilizadas técnicas de sequenciamento para isolar genes, cloná-los e expressá-los na forma recombinante em organismos heterólogos (bactérias, leveduras e células de mamífero). As toxinas recombinantes permitem o entendimento da sua estrutura, função e potencial biotecnológico através de diversas análises de atividades, e a exploração do seu potencial imunógeno para produção de anticorpos neutralizantes com o intuito de melhorar o tratamento do envenenamento. Outra abordagem utilizada é a fusão de toxinas provenientes de venenos de diferentes animais para gerar moléculas quiméricas que não existem na natureza a fim de explorar novas propriedades biológicas.

Pesquisador envolvido:

• Geraldo Santana Magalhães


Esta linha de pesquisa atua na caracterização de diferentes venenos botrópicos e de metaloproteinases isoladas de venenos de serpentes do gênero Bothrops. Dessa forma, são correlacionados aspectos de ecologia e evolução frente à fisiopatologia do envenenamento, proteólise, eventos de coagulação e aspectos inflamatórios por meio de modelos in vitro e in vivo.

Pesquisadora envolvida:

• Luciana Aparecida Freitas de Sousa


Disintegrinas e outras moléculas nativas e recombinantes, obtidas de venenos animais, podem ter ação sobre patologias dependentes de adesão celular. Os pesquisadores estudam a ação dessas moléculas na inibição da agregação plaquetária, importante mecanismo envolvido na trombose; na inibição de eventos de progressão tumoral, como angiogênese, vasculogênese, invasão tumoral, adesão de plaquetas às células endoteliais e tumorais, por meio de ensaios in vitro; e na análise da expressão gênica envolvida em mecanismos pró-metastáticos induzidos por plaquetas. Esses estudos permitem a compreensão do papel de plaquetas em eventos de progressão tumoral, além da caracterização de moléculas inibidoras desses eventos como ferramentas importantes para avaliar a interação plaquetas-tumor e para o desenvolvimento de potenciais moduladores.

Pesquisadora envolvida:

• Maisa Splendore Della Casa


Esta linha de pesquisa estuda metaloproteinases de venenos de serpentes, tanto obtidas de toxinas nativas como recombinantes, com potencial de modular a resposta inflamatória e formar novos vasos (angiogênese). Também tem como objetivo estudar a compreensão dos mecanismos genéticos envolvidos na regulação da lesão local, avaliando o papel de microRNAs.

Pesquisadora envolvida:

• Patricia Bianca Clissa


Geraldo Santana Magalhães
Pesquisador científico VI e diretor do Laboratório de Imunopatologia
Lattes

Patrícia Bianca Clissa
Pesquisadora científica VI e vice-diretora do Laboratório de Imunopatologia
Lattes

Ana Maria Moura da Silva
Pesquisadora científica VI
Lattes

Eliana Faquim de Lima Mauro
Pesquisadora científica VI
Lattes

Maisa Splendore Della Casa
Pesquisadora científica VI
Lattes


Bianca de Carvalho L.F. Tavora
Tecnologista de laboratório

Luciana Aparecida Freitas De Sousa
Tecnologista de laboratório

Jose Antonio Portes Junior
Tecnologista de laboratório

Monica Colombini
Médica veterinária

Paula Andreia Lucas
Tecnologista de laboratório

Camila da Silva Lopes
Técnico de apoio à pesquisa científica e tecnológica

Cleusa Aparecida da Silva
Oficial administrativo

Francisco G. Purificação Filho
Auxiliar de serviços gerais

Robério Machado da Silva
Auxiliar de serviços gerais


• Cromatografias de afinidade e troca iônica

• Isolamento e caracterização de proteínas

• Cultivo celular

• Protocolos de diferenciação celular in vitro

• Purificação de populações celulares

• Marcação intra e extracelular para análise por citometria de fluxo e microscopia

• Confocal

• Ensaios imunoenzimáticos

• Modelos de estudo da inflamação, angiogênese, interações plaquetas-tumor e cicatrização de feridas em plataformas experimentais in vivo e in vitro

• Purificação de proteínas por cromatografia

• Plataforma de ensaios para caracterização de atividades de toxinas de venenos animais e soroneutralização por antivenenos

• Plataforma de soroneutralização utilizando ensaio de infecção celular por partículas pseudovirais

• Clonagem e expressão de genes em vetores virais, bacterianos, levedura e células de mamífero

• Mutação sitio dirigida

• Ensaios in vitro de adesão, proliferação, angiogênese e vasculogênese

• Ensaios de expressão gênica através da técnica de PCR em tempo real

• Análise proteômica e transcriptômica

• Ensaios de coagulação e agregação


• Citômetro de fluxo

• Fluorospot

• FPLC

• Luminômetro

• Agregômetro Chronolog

• PCR em tempo real