Cargo: Pesquisadora científica VI
Laboratório: Laboratório de Ecologia e Evolução
Linha de pesquisa: polimorfismo de veneno de viperídeos
Contato: (11) 2627-9812 / 4698 | nancy.oguiura@butantan.gov.br
Graduada em Farmácia pela USP-São Paulo, Mestrado e Doutorado em Ciências (Biologia / Genética) pelo Instituto de Biociências, USP-São Paulo. O Mestrado focou o gene da timidina quinase do vírus vaccínia, um gene potencial para a utilização desse vírus como vetor vacinal. Durante a sua permanência no Laboratório de Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade Louis Pasteur, Estrasburgo – França caracterizou o segundo gene responsável pelo crescimento do vírus vaccínia em células humanas. No Doutorado estudou o polimorfismo da crotamina na população de cascavéis brasileiras e também descreveu o seu gene. Em um estágio, realizado no Laboratório do Dr. Guolong Zhang na Faculdade de Ciências Animais da Universidade Estadual de Oklahoma, Stillwater - EUA, testou a atividade antibacteriana da crotamina. Desde 1987 é pesquisadora científica do Instituto Butantan.
O polimorfismo do veneno de serpentes é reflexo do seu conteúdo genético. A investigação da estrutura dos genes de toxinas permite compreender a perda ou ganho de alguma atividade específica, assim como a sua origem a partir de um gene de uma proteína não tóxica. Pode-se também inferir como os genes de diferentes espécies se relacionam entre elas e como as modificações nas sequências ou estrutura se refletem na diversidade de atividades biológicas. O grupo foca o polimorfismo de veneno de viperídeos, tais como jararacas e cascavéis, e também peptídeos crotamina-símile de serpentes, ou seja, peptídeos com estrutura β-defensina, assim como outros peptídeos antimicrobianos. No último ano, estou interessada na história da toxinologia no Instituto Butantan.
Os venenos de serpentes são constituídos por toxinas que podem ser agrupadas em famílias estruturais, por exemplo: fosfolipases do tipo A2, lecitinas do tipo C, serino proteases, metaloproteases, miotoxinas crotamina-símile, toxinas de três dedos etc. Elas estão codificadas em famílias gênicas e seus genes podem estar sujeitos à evolução acelerada (as sequências codificantes apresentam mais mutações do que as sequências não codificantes). Os estudos genômicos mostraram que essas cópias gênicas são organizadas em “clusters” com um número variado de genes e pseudogenes em tandem. Em relação ao gene de crotamina, utilizando hibridização fluorescente in situ em cromossomos metafásicos de cascavel, observamos que elas estão localizadas na extremidade do braço longo do macrocromossomo 2.
As B-defensinas são peptídeos antimicrobianos que possuem um motivo de seis cisteínas caracterizados e organizados em três folhas B antiparalelas. Eles são componentes do sistema imune inato que constituem a defesa primária dos seres vivos após a barreira física que é a pele. A crotamina é uma toxina do veneno de cascavel que possui estrutura B-defensina, conhecida como uma miotoxina que causa paralisia espástica quando injetada em camundongos. Seu polimorfismo é conhecido nos venenos, podendo estar ausente ou presente em quantidades diversas. Meu grupo observou que essa quantidade variada no veneno está diretamente relacionada com o número de cópias presentes no genoma, ou seja, quanto maior o número de cópias gênicas maior a concentração de crotamina no veneno. Não foram detectadas cópias funcionais do gene de crotamina em cascavéis com veneno crotamina negativo. Utilizando a técnica de PCR descrevemos vários genes B-defensinas em diversas serpentes peçonhentas e não peçonhentas. Analisando transcritos de B-defensinas na Bothrops jararaca, observamos expressões diferenciadas em diferentes órgãos, entre eles os reprodutivos.
1. OGUIURA, NANCY; SANCHES LEONARDO; DUARTE, PRISCILA V.; SULCA-LÓPEZ, MARCOS A.; MACHINI, MARIA TERÊSA. Past, Present, and Future of Naturally Occurring Antimicrobials Related to Snake Venoms. ANIMALS 13, 744, 2023.
2. OGUIURA, NANCY; CORRÊA, POLIANA G.; ROSMINO, ISABELLA LEMOS; DE SOUZA, ANA OLÍVIA; PASQUALOTO, KERLY FERNANDA MESQUITA. Antimicrobial Activity of Snake β-Defensins and Derived Peptides. TOXINS 14, 1, 2022.
3. LOTTO, NICHOLAS P.; MODESTO, JEANNE C. DE ALBUQUERQUE; SANT’ANNA, SÁVIO S.; GREGO, KATHLEEN F.; GUARNIERI, MIRIAM C.; LIRA-DA-SILVA, REJANE M.; SANTORO, MARCELO L.; OGUIURA, NANCY. The absence of thrombin-like activity in Bothrops erythromelas venom is due to the deletion of the snake venom thrombin-like enzyme gene. PLOS ONE 16(4): e0248901, 2021.
4. OGUIURA, N.; KAPRONEZAI, J.; RIBEIRO, T.; ROCHA, M.M.T.; MEDEIROS, C.R.; MARCELINO, J.R.; PREZOTO, B.C. An alternative micromethod to access the procoagulant activity of Bothrops jararaca venom and the efficacy of antivenom. TOXICON 90: 148-154, 2014.
5. OGUIURA, NANCY; COLLARES, MAÍRA A.; FURTADO, M. FÁTIMA D.; FERRAREZZI, HEBERT; SUZUKI, HANA. Intraspecific variation of the crotamine and crotasin genes in Crotalus durissus rattlesnakes. Gene 446: 35–40, 2009.
Egressos
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Alunos |
Ano |
Pós-graduação |
Bolsas |
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Priscilla A. B. da Silva |
2019 |
Especialização |
PAP, Secretaria da Saúde |
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Leonardo Sanches |
2017 |
Mestrado |
CAPES |
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Poliana G. Corrêa |
2013 |
Mestrado |
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Maira Collares |
2006 |
Especialização |
FUNDAP |
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Poliana G. Corrêa |
2005 |
Especialização |
FUNDAP |
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Priscila V. Duarte |
PIBIT 2020, Fund. Butantan |
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Nicholas P. Lotto |
PIBIC 2017-2018, Fund. Butantan |
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Isabella L. Rosmino |
BCO – TT1 – FAPESP 2017/11735-2 |
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Leonardo Sanches |
BCO - TT3 – FAPESP 2017/22517-6 |
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Yago S. de Oliveira |
PIBIC 2014-2015, CNPq |
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Leonardo Sanches |
BCO – TT1 – FAPESP 2012/01565-9 |
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Thayane Ribeiro |
BCO – TT1 – FAPESP 2011/23254-2 |
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Rafael K. Hieda |
PIBIC 2010, CNPq |
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Yuri F. Basdadjian |
PIBIC 2007-2008, CNPq |
Concluídos
A ausência de atividade trombina símile em Bothrops erythromelas é devido à deleção do gene da enzima trombina símile
Vigência: Junho/2021 a Novembro/2021
Genes de toxinas de venenos e β-defensinas de serpentes
Vigência: Julho/2015 a Junho/2018
Reparo do espectro fotômetro Nanodrop 2000c
Vigência: Novembro/2013 a Outubro/2014
Defensinas em serpentes: atividade antibiótica e análise genômica comparativa
Vigência: Agosto/2010 a Janeiro/2013
Reparo de microcentrífuga refrigerada da marca Tomy
Vigência: Novembro/2009 a Outubro/2010
Análise das atividades biológicas in vitro da crotamina e do crotasin, peptídeos homólogos da cascavel Crotalus durissus terrificus
Vigência: Dezembro/2008 a Maio/2009
Análise da variação da quantidade de crotamina no veneno e do respectivo número de genes no genoma da cascavel Crotalus durissus
Vigência: Agosto/2010 a Janeiro/2013
Determinação da estrutura gênica da crotamina, uma pequena miotoxina básica do veneno da cascavel Crotalus durissus terrificus.
Vigência: Novembro/1999 a Outubro/2001
Inácio L.M.J. Azevedo, Vincent Viala, Olga S.F. Alves
Prêmios
Award 2015. Global 3Rs Awards Committee - AAALAC International (Frederick, MD, US).
OGUIURA N., KAPRONEZAI J., RIBEIRO T., ROCHA M.M.T., MEDEIROS C.R., MARCELINO J.R., PREZOTO B.C. An alternative micromethod to access the procoagulant activity of Bothrops jararaca venom and the efficacy of antivenom. Toxicon, v.90, p. 148-154, 2014.
LOTTO N.P., PICON N.T.P., SANTORO M.L., OGUIURA N. Determinação da estrutura gênica de serino proteases do veneno de Bothrops jararaca e B. erythromelas. Segundo Lugar do Prêmio Melhor Trabalho de Iniciação Científica do Instituto Butantan – 2019.
Editoria
Editora convidada da revista Toxins para o número especial “Venom Genes and Genomes of Venomous Animals: Evolution and Variation” junto com a Dra. Maria José de J. Silva - 2024/2025.
Membro da Comissão de Ética no Uso de Animais do Instituto Butantan desde 2017.
Membro do Conselho Deliberativo de Curadoria das Coleções Científicas Zoológicas do Instituto Butantan desde 2018.
Membro da Comissão do Banco de Tecidos do Instituto Butantan (2006 – 2016)
Outras atividades: revisão ad hoc de diversas revistas científicas, participação em bancas, seminários e aulas etc.