Cargo: Pesquisadora científica VI
Laboratório: Laboratório de Bacteriologia
Linha de pesquisa: patogenicidade de E. coli, desenvolvimento de anticorpos e diagnósticos para doenças emergentes
Contato: (11) 2627- 9728 / 2627-9724 | roxane.piazza@butantan.gov.br
Graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Farmácia pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), com estágio na Universidade de Osaka, no Japão, como bolsista da Japan International Cooperation Agency. Doutora em Biologia da Relação Patógeno-Hospedeiro pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP, com doutorado sanduíche na Universidade Ludwig-Maximilians e no Instituto de Medicina Tropical Bernhard-Nocht, na Alemanha, como bolsista CNPq.
Nos últimos 25 anos, tem se dedicado ao estudo de mecanismos de patogenicidade dos diferentes patotipos de Escherichia coli, à geração de diferentes formatos de anticorpos e ao desenvolvimento de plataformas para diagnóstico de doenças emergentes e reemergentes. Foi pesquisadora visitante nos Institutos Robert Koch e Federal Institute for Risk Assessment, na Alemanha, como bolsista DAAD-Capes, e na Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, como bolsista da Fundación Carolina. Realizou uma estadia na Universidade de Toronto, no Canadá, trabalhando com geração de anticorpos recombinantes a partir de plataformas de apresentação de fagos. Desde 1987, é pesquisadora científica do Instituto Butantan.
Ao longo da trajetória acadêmica, desde a graduação até a conclusão do doutorado, investigou diversos aspectos do Trypanosoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas. A experiência em parasitologia e imunoquímica resultou em numerosos estudos colaborativos em temas variados. Após a conclusão do doutorado, integrou o grupo de pesquisa do Prof. Luiz R. Trabulsi (um dos mais renomados microbiologistas do Brasil). Nesse novo ambiente, estudou a patogenicidade de diferentes patotipos de Escherichia coli, com foco nas cepas causadoras de diarreia (enteropatogênica, enterotoxigênica e produtora de toxina Shiga), com uma linha de pesquisa direcionada para a interface entre a pesquisa básica e a aplicada, com ênfase na geração de diversos formatos de anticorpos e no desenvolvimento de testes imunossorológicos para o diagnóstico de diarreias causadas por esses importantes patógenos. Além disso, vem produzindo anticorpos recombinantes para terapia das intoxicações causadas pelas toxinas Shiga. Entre os patótipos de E. coli de importância epidemiológica, a E. coli enteroagregativa, um patógeno heterogêneo e emergente, tem sido objeto de estudos aprofundados para definir antígenos-alvo para diagnóstico. Com o surgimento de novas ameaças como Zika, SARS-CoV-2, resistência a antimicrobianos e a reemergência da Dengue, vem aplicando esses conhecimentos em projetos de diagnóstico, gerando anticorpos e validando novas opções diagnósticas.
O diagnóstico precoce desempenha um papel fundamental na gestão da conduta clínica de qualquer doença. Por isso, métodos moleculares têm sido desenvolvidos e estão sendo empregados para diagnosticar uma variedade de patógenos. No entanto, a mera detecção do gene não garante a transcrição deste, muito menos a produção da proteína correspondente. Portanto, os métodos fenotípicos, capazes de detectar a presença dos fatores de virulência dos patógenos, são considerados a abordagem mais confiável para o diagnóstico. Nesse contexto, os anticorpos surgem como ferramentas excelentes para o diagnóstico, dada sua capacidade de reconhecer e se ligar a antígenos. Sua versatilidade e especificidade os tornam inestimáveis na biotecnologia, sendo amplamente utilizados em diversas aplicações. A classe de imunoglobulinas IgG é especialmente empregada devido à sua estrutura em forma de "Y", que possui uma região responsável pela ligação ao antígeno (Fab) e uma região cristalizável que medeia as funções efetoras do anticorpo (Fc).
Existem várias abordagens para gerar anticorpos para diferentes aplicações. A imunização animal pode resultar na produção de anticorpos policlonais, enquanto a imortalização de linfócitos ou a tecnologia recombinante podem gerar anticorpos monoclonais ou recombinantes, respectivamente. A tecnologia de hibridoma, por exemplo, revolucionou a produção de anticorpos monoclonais, possibilitando a geração de anticorpos específicos em grande escala. No entanto, o uso de animais e a dependência da maturação dos anticorpos são limitações dessa abordagem.
Tecnologias mais recentes, como a quimerização e a humanização, têm aprimorado a eficácia dos anticorpos monoclonais murinos, levando à aprovação de fragmentos de anticorpos para uso terapêutico e diagnóstico. Fragmentos como Fab e scFv foram desenvolvidos para melhorar a penetração nos tecidos, a farmacocinética e o reconhecimento de epítopos, minimizando os efeitos tóxicos associados à porção Fc. Metodologias como o phage display e o yeast display têm permitido o desenvolvimento de fragmentos de anticorpos recombinantes, oferecendo uma alternativa aos hibridomas, especialmente para antígenos de baixa imunogenicidade. Além disso, sistemas de expressão microbiana fornecem uma opção de produção de anticorpos específicos de forma mais econômica.
Programas de Pós-Graduação
Principais publicações
Alunos atuais
Jessika Cristin Alves da Silva – Doutorado
Caroline Florêncio – Mestrado Acadêmico
Bruno Cassaro de Andrade – Mestrado Profissional
Tamara Martins – Mestrado Profissional
Rodrigo M Maluhy – Iniciação Científica
Egressos
Pós-doutorado
Camila Henrique Pinto
Daniela Luz Hessel da Cunha
Letícia Barboza Rocha
Cristiane Santos de Souza
Doutorado
Camila Henrique Pinto
Thais Mitsunari
Bruna de Lucca Caetano
Danielle Dias Munhoz
Fernanda Batista de Andrade (coorientação)
Daniela Luz Hessel da Cunha
Júlia Mitico Nara
Letícia Barboza rocha
Marcio Anunciação Menezes
Mestrado
Izabella de Macedo Henrique
Jessika Cristina Alves da Silva
Bruno Bernardi Yamamoto
Thais Mitsunari
Danielle Dias Munhoz
Anna Raquel Ribeiro dos Santos
Caio Raony Farina Silveira
Andressa Caravelli
Daniela Bastos Mourão
Natália Cristina de Freitas
Christiane Yumi Ozaki
Sarita Schneider Rossato
Caroline Arantes Magalhães-Castilhone
Letícia Barboza Rocha
Júlia Mitico Nara
Meire Roberta Bresciani Mendes-Ledes
Paula Célia Mariko Koga.
Andréa Bernardes Vilhena Costa (coorientação)
Caroline Anunciação Menezes.
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM)
Instituto de Ciências Biomédicas - Universidade de São Paulo
CTvacinas - Universidade Federal de Minas Gerais
Fiocruz - Rio de Janeiro
Universidade de Buenos Aires, Argentina
Universidade de Waterloo, Canadá
Universidade de Münster, Alemanha
Universidade de Utah, Estados Unidos
Concedidas:
- Abreu PAE, Gotti TB, Rocha LB, Piazza RMF. Processo, dispositivo e kit para diagnóstico imunocromatográfico in vitro da leptospirose e/ou para detecção de infecção por leptospira spp; processo para sua preparação. 2016, Brasil. Patente: Privilégio de Inovação. Número do registro: BR1020160206170, INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Depósito: 06/09/2016; Concessão: 17/12/2024.
-Vasconcellos HLF, Scaramuzzi K, Nascimento IP, Ferreira Jr JM, Kipnis A, Abe CM, Piazza RMF, Silva WD. Método de Ensaio Pré-Clínico para Obtenção de Vacina Usando Bacilo Calmette-Guérin (BCG) e Mycobacterium smegmatis que expressam os fatores de virulência BfpA e Intimina de Escherichia coli enteropatogênica (EPEC). 2012, Brasil. Patente: Modelo de Utilidade. Número do registro: BR102012024276, título: "Método de Ensaio Pré-Clínico para Obtenção de Vacina Usando Bacilo Calmette-Guérin (BCG) e Mycobacterium smegmatis que expressam os fatores de virulência BfpA e Intimina de Escherichia coli enteropatogênica (EPEC)." Instituição de registro: INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Depósito: 25/09/2012; Concessão: 11/05/2021
Submetida:
- Fernandes APSM, Coelho FF, Gazzinelli RT, Lopes TB, Ribeiro Teixeira SM, De Castro NS, Fonseca FG, Bagno FF, Polatto JM, Luz D, Da Silva MA, Piazza RMF. Anticorpo monoclonal e kit para detecção de antígeno de sars-cov-2 por imunocromatografia de fluxo lateral, e usos. 2023, Brasil. Patente: Privilégio de Inovação. Número do registro: BR1020230261086. Instituição de registro: INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Depósito: 12/12/2023.
1. Luz D, Amaral MM, Sacerdoti, F; Bernal, A; Palermo, M; Ibarra, C; Piazza, RMF. Human Recombinant Fab Fragment Neutralizes Shiga Toxin Type 2 Cytotoxic Effects in vitro and in vivo. 3 Lugar Prêmio Jovem Cientista (modalidade Pós-Doutorado) 20a Reunião Científica Anual Instituto Butantan, realizada entre 5 e 7 de dezembro de 2018.
2. Luz D, Chen G, Maranhão AQ, Rocha LB, Sidhu S, Piazza RM. Development and Characterization of Recombinant Antibody Fragments That Recognize and Neutralize In Vitro Stx2 Toxin from Shiga Toxin-Producing Escherichia coli. Premio Jovem Cientista (modalidade Doutorado) 16a Reunião Científica Anual Instituto Butantan, realizada entre 1 e 5 de dezembro de 2014.
3. Rocha LB, Santos AR, Munhoz DD, Cardoso LT, Luz DE, Andrade FB, Horton DS, Elias WP, Piazza RM. Development of a rapid agglutination latex test for diagnosis of enteropathogenic and enterohemorrhagic Escherichia coli infection in developing world: defining the biomarker, antibody and method. 2o Lugar melhor trabalho publicado em 2014 Prêmio Fundação Butantan, Fundação Butantan em 2015.
4. Munhoz DD, Luz DE, Rocha LB, Caravelli A, Horton DSPQ, Piazza RMF. Standardization of culture conditions for enteropathogenic and enterohemorrhagic Escherichia coli: evaluation of EspB expression and its use as diagnostic tool, este trabalho foi selecionado para apresentação e recebeu menção honrosa na 13a Reunião Científica Anual Instituto Butantan, realizada entre os dias 30 de novembro a 2 de dezembro de 2011.
Participação na série Cientistas, episódio 4: Ciência é o Futuro, exibido na TV Cultura em 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6xJmShQvuHY
Dia internacional da mulher - representando as mulheres cientistas - Jornal Nacional no dia 8 de março de 2022 – https://globoplay.globo.com/v/10370016/