Carlos Jared

Cargo: Pesquisador científico VI e diretor do laboratório

Laboratório: Laboratório de Biologia Estrutural

Linha de pesquisa: glândulas de veneno e peçonha/morfologia, modo de vida e sistemas de defesa de répteis e anfíbios

Contato: (11) 2627- 9772 / 2627-9773 | carlos.jared@butantan.gov.br

É graduado em Ciências Biológicas, com doutorado em Biologia (Morfologia Comparada) pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, doutorado em História da Ciência (História da Medicina no Brasil) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pós-doutorado em Biologia Integrativa pelo Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Atualmente é pesquisador científico sênior e diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan. É professor do Programa de Pós-graduação em Toxinologia do Instituto Butantan. Atua na área de Anatomia e Morfologia Comparadas, correlacionada à Biologia e História Natural de anfíbios e répteis. Na área de História da Ciência, tem interesse principalmente pela História da Medicina no Brasil, além de atuar na divulgação científica. Está vinculado ao Instituto Butantan desde 1972.

Direciono as minhas pesquisas principalmente ao conhecimento das glândulas de veneno e peçonha e de suas estruturas anexas, que atuam na defesa química, tanto ativa (como a dos répteis) quanto passiva (como a dos anfíbios), tendo como pano de fundo a evolução e a história natural. Desenvolvo particular interesse por répteis e anfíbios, aprofundando-me na morfologia, no modo de vida e nos sistemas de defesa contra predadores e dessecação. Estudo também a biologia de lagartos e anfisbênias, com ênfase na morfologia das glândulas de feromônio, responsáveis pela comunicação química intra- e interespecífica. Tenho ainda interesse pela biologia e pela história natural de marsupiais brasileiros, com ênfase no comportamento ofiófago e na resistência natural aos venenos ofídicos. Na área de História da Ciência, meu interesse é voltado, em especial, para o período da criação dos institutos de pesquisa, na virada do século XIX para o início do XX. Além disso, atuo na divulgação científica de minhas áreas e de assuntos de interesse científico, colaborando com frequência com o setor de comunicação do Instituto Butantan.

Os anfíbios contam com mais de 8.000 espécies agrupadas nas ordens Anura (sapos, rãs e pererecas), Caudata (salamandras e tritões) e Gymnophiona (cecílias). A fauna neotropical é muito extensa, sendo o Brasil um dos países com a maior diversidade de anfíbios do planeta, com aproximadamente 1256 espécies (1211 anuros, 40 cecílias e 5 salamandras).

As cecílias, em particular, são muito pouco conhecidas devido ao seu hábito primariamente fossorial, revelando características únicas por meio de estudos realizados diretamente em campo. Esses estudos são associados a observações em cativeiro e a observações morfológicas, fisiológicas e comportamentais. O mesmo ocorre com as anfisbênias, répteis escamados fossoriais muito pouco conhecidos e que merecem ser melhor estudados através de metodologias indiretas de acesso à sua biologia.

As adaptações morfofuncionais e comportamentais sofridas pelos anfíbios foram essenciais para a transição do ambiente aquático para o ambiente terrestre. Entre os vários órgãos, destaca-se a pele por apresentar características únicas entre os vertebrados, exercendo múltiplas funções, como trocas gasosas, excreção, termorregulação, equilíbrio hídrico, reprodução e defesa contra predadores e microrganismos. Essa pele apresenta enorme plasticidade, adaptando-se e adquirindo características próprias em cada grupo ou espécie, de acordo com as necessidades de cada nicho ecológico. Essas particularidades estendem-se às secreções das glândulas cutâneas, em especial as de veneno, que apresentam milhares de combinações de compostos, cada um com ações biológicas muito específicas, tanto no metabolismo celular glandular quanto na relação com outros organismos. Tais compostos podem ser explorados tanto pela sua importância zoológica no contexto do animal quanto pelo seu possível uso no desenvolvimento de fármacos ou de sucedâneos farmacêuticos.

Na atualidade, mais do que nunca, é de suma importância que o pesquisador, além de ser um bom cientista, seja capaz de compartilhar suas descobertas com o público em geral, em linguagem bem acessível, valorizando seu trabalho e divulgando conhecimento à população. 

 


Docente do Programa de Pós-graduação em Toxinologia (PPGTox) do Instituto Butantan.

Orientador no Curso de Especialização em Animais de Interesse em Saúde – Biologia Animal, do Instituto Butantan.

Orientador no Curso de Especialização em Toxinas de Interesse em Saúde do Instituto Butantan.

 

 

Principais publicações

1. Mailho-Fontana PL, Antoniazzi MM, Coelho GR, Pimenta DC, Fernandes LP, Kupfer A, Brodie Jr. ED, Jared C. 2024. “Milk” provisioning in oviparous caecilian amphibians. Science, in press. DOI: 10.1126/science.adi5379. Fator de impacto: 47.728

2. Kupfer A, Muller H, Antoniazzi MM, Jared C, Greven H, Nussbaum RA, Wilkinson M. 2006. Parental investment by skin feeding in a caecilian amphibian. Nature 440(3):926-929. Fator de impacto: 49.962 

3. Mailho-Fontana PL, Antoniazzi MM, Alexandre C, Pimenta DC, Sciani JM, Brodie Jr. ED, Jared C. 2020. Morphological Evidence for an Oral Venom System in Caecilian Amphibians. iScience, 1:101234. Fator de impacto: 5.458

4. Jared C, Mailho-Fontana PL, Marques-Porto R, Sciani JM, Pimenta DC, Brodie Jr. ED, Antoniazzi MM. 2018. Skin gland concentrations adapted to different evolutionary pressures in the head and posterior regions of the caecilian Siphonops annulatus. Scientific Reports 8:3576. DOI: 10.1038/s41598-018-22005-5. Fator de impacto: 4.379.

5. Jared C, Mailho-Fontana PL, Antoniazzi MM, Mendes VA, Barbaro KC, Rodrigues MT, Brodie Jr. ED. 2015. Venomous Frogs Use Heads as Weapons. Current Biology 25:2166-2170. Fator de impacto: 10.834

 

 


Atual

Pedro Luís Mailho Fontana – Tecnologista de Laboratório Sênior

Beatriz Mauricio – Tecnologista de Laboratório Sênior

Simone Gonçalves Silva Jared – Tecnologista de Laboratório Pleno

Egressos

Nome

Ano

Nível

Pedro Luis Mailho Fontana

2022

Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado

Cesar Alexandre

2022

Doutorado

Adriano Bauer

2022

Mestrado

Luciana Almeida Sato

2019

Mestrado

Eduardo Régis Alves

2016

Mestrado

Sérgio Mestieri Chammas

2012

Mestrado

Ivan Prates

2010

Mestrado

Patrícia Narvaes

2010

Pós-doutorado

Giselle Foureaux

2008

Mestrado

Rafael Marques Porto

2007

Pós-doutorado

Silas Lobo

2006

Mestrado

Leonardo de Oliveira

2006

Mestrado

Beatriz Imparato

2004

Mestrado


Capacitação do Instituto Butantan em criomicroscopia eletrônica visando fortalecer a pesquisa fundamental e o desenvolvimento de novos produtos, MCTI/FINEP/FNDCT/CT-INFRA - PROINFRA 2021. Convênio #01.23.0264.00. Responsável: Carlos Jared.

Aquisição de equipamento de microtomografia computadorizada de alto contraste para recuperação digital e qualificação das coleções zoológicas do estado de São Paulo”. FAPESP – EMU #22/11538-0: Auxílio à Pesquisa Programa Infraestrutura - Acervos e Coleções. 01/06/2023 a 31/05/2026. Pesquisador responsável: Inácio de Loiola Meirelles Junqueira de Azevedo. Pesquisador associado do projeto: Carlos Jared.

 

Projetos concluídos

Desvendando o cuidado parental nas cecílias: implicações nutricionais e toxinológicas em Siphonops annulatus”, auxílio FAPESP, processo 2018/03265-9. Responsável: Carlos Jared. 01/08/2018 a 31/07/2020.

 


Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências, USP.

Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC).

Museu de História Natural de Londres, Reino Unido.

Museu de História Natural de Stuttgart, Alemanha.

Universidade de Copenhagen e Serpentides ApS, Dinamarca.

Universidade Estadual de Utah, EUA.

 

Prêmios

  1. 1º lugar VI Prêmio Fundação Butantan pelo trabalho "Venomous frogs use heads as weapons"– 2016.
  2. Concurso de Fotografia Científica da Royal Society, 2017 - Menção honrosa na categoria Ecologia e Ciências Ambientais.