Luciana Aparecida Freitas-de-Sousa

Cargo: Pesquisadora de laboratório

Laboratório: Laboratório de Imunopatologia

Linha de pesquisa: efeitos de metaloproteinases do veneno de serpentes isoladas do veneno de Bothrops atrox 

Contato: (11) 2627-4432 | luciana.sousa@butantan.gov.br

Luciana A. Freitas de Sousa é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará (UFPA), mestrado em Ciências Ambientais pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia da Universidade Federal do Oeste do Pará e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Toxinologia do Instituto Butantan. Foi bolsista de Pós-Doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) dentro do projeto Escalas da Biodiversidade- estudos integrados da evolução de serpentes e função do veneno com período sanduíche na Florida State University, Tallahassee, Flórida, EUA. Durante o período de 2021 a 2022, atuou como Tecnologista no Laboratório de Vigilância Genômica do Instituto Butantan, que faz parte da rede de alerta das variantes do SARS-Cov2. De 2022 a 2024, atuou como Tecnologista no Laboratório de Imunopatologia e, desde setembro de 2024 atua como Pesquisadora no Laboratório de Imunopatologia.

Atualmente estuda os efeitos de metaloproteinases do veneno de serpentes isoladas do veneno de Botrhops atrox no contexto do entendimento do processo inflamatório desencadeado pela atividade proteolítica dessas toxinas. Além disso, é pesquisadora associada ao projeto 2022/10344-8 da Iniciativa Amazônia+10, trabalhando com a composição e atividades biológicas de venenos de serpentes da Amazônia no contexto do envenenamento e da busca de tratamentos adjuvantes a soroterapia com colaborações com grupos de pesquisa da região Amazônica. Além disso, estuda o uso de inibidores de metaloproteinases e fosfolipases A2 para a inibição dos efeitos locais e sistêmicos em casos de envenenamento por serpentes Bothrops e Crotalus. Também, sou docente no programa de Especialização em Saúde - Toxinas pela Escola Superior do Instituto Butantan, orientando duas alunas de especialização.

Apesar dos importantes esforços realizados nas últimas décadas no Brasil para compreender e controlar o problema dos acidentes ofídicos, permanecem importantes lacunas para o cumprimento desses objetivos, principalmente na região amazônica. E é na região amazônica que a maioria dos acidentes ofídicos são registrados todos os anos no país, sendo a espécie B. atrox a serpente que mais causa envenenamentos. Na Amazônia as complicações sistêmicas, como sepsis e lesão renal aguda, são menos conhecidas e, aparentemente, menos frequentes do que as complicações locais em outras regiões do país. Dependendo da gravidade dos danos no local da picada, o quadro do paciente pode resultar em sequelas funcionais permanentes e ocasionalmente amputação do membro picado. Nesse sentido, já mostramos que Bothrops atrox apresenta duas SVMPs que estão diretamente relacionadas com a gravidade do dano local induzido por esse veneno. Esses efeitos por sua vez aliados com as dificuldades das vítimas para chegar ao serviço de saúde, podem implicar clinicamente na gravidade das lesões locais. Além disso, esses casos requerem especial atenção no tratamento e neutralização pelos antivenenos, visto que esses casos são seguidos por uma pobre regeneração tecidual e consequente perda de tecido e função do membro afetado.


Programa de Pós-Graduação Programa de Pós-Graduação em Ciências – Toxinologia (PPGTox) do Instituto Butantan.


- Size Matters: An Evaluation of the Molecular Basis of Ontogenetic Modifications in the Composition of Bothrops jararacussu Snake Venom. Freitas-de-Sousa LA, Nachtigall PG, Portes-Junior JA, Holding ML, Nystrom GS, Ellsworth SA, Guimarães NC, Tioyama E, Ortiz F, Silva BR, Kunz TS, Junqueira-de-Azevedo ILM, Grazziotin FG, Rokyta DR, Moura-da-Silva AM. Toxins 2020, 12(12), 791; https://doi.org/10.3390/toxins12120791. Esse trabalho sumariza os resultados obtidos no período do meu estágio de pós-doutorado na Florida State University. Neste artigo, usando Bothrops jararacussu como modelo, demonstramos um paralelo com uma mudança na composição do veneno de acordo com o crescimento da serpente e não sua maturação sexual. Assim, mostramos que as mudanças na composição do veneno podem não estar correlacionadas com a maturação sexual, reportada na literatura como um dos mecanismos que modulam a mudança do veneno de serpentes e outros mecanismos podem estar modulando o veneno.

- The Venom Composition of the Snake Tribe Philodryadini: ‘Omic’ Techniques Reveal Intergeneric Variability among South American Racers. Tioyama EC, Bayona-Serrano JD, Portes-Junior JA, Nachtigall PG, de Souza VC, Beraldo-Neto E, Grazziotin FG, Junqueira-de-Azevedo ILM, Moura-da-Silva AM, Freitas-de-Sousa LA. Toxins. 2023; 15(7):415. https://doi.org/10.3390/toxins15070415. Este artigo publicado recentemente é meu primeiro artigo como autor correspondente e inclui os resultados obtidos da minha primeira aluna de pós-graduação a nível de mestrado. Fui responsável por conceber as hipóteses, planejar os experimentos, escrever e submeter o trabalho. Dessa forma, este trabalho é um marco inicial na minha carreira como pesquisadora principal e orientadora. Este estudo fornece um conjunto de dados abrangente sobre a composição do veneno e atividade enzimática de oito espécies de cobras Dipsadidae pertencentes à tribo Philodryadini (ou seja, gêneros Philodryas, Chlorosoma e Xenoxybelis). Destacamos as toxinas relevantes presentes nesses venenos, a variabilidade composicional entre diferentes gêneros e a diversidade funcional do grupo.

- Venom Composition of Neglected Bothropoid Snakes from the Amazon Rainforest: Ecological and Toxinological Implications. Freitas-de-Sousa LA, Colombini M, Souza VC, Silva JPC, Mota-da-Silva A, Almeida MRN, Machado RA, Fonseca WL, Sartim MA, Sachett J, Serrano SMT, Junqueira-de-Azevedo ILM, Grazziotin FG, Monteiro WM, Bernarde PS, Moura-da-Silva AM. Toxins (Basel). 2024 Feb 4;16(2):83. doi: 10.3390/toxins16020083. Apesar da composição dos venenos de Bothrops (jararacas) seja bem documentada, um fator que nos chama a atenção é a carência de estudos com os venenos das serpentes de regiões mais remotas como Acre e Roraima, onde os acidentes ofídicos atingem altas incidências. Trabalhando em conjunto com pesquisadores do Acre e Manaus-AM dentro da Iniciativa Amazônia+10, comparamos os venenos de diferentes espécies do complexo Bothrops coletados no Acre, visando compreender as consequências ecológicas e toxinológicas da composição do veneno. Apesar das particularidades de cada veneno, mostramos que o antiveneno comercial usado contra Bothrops reconheceu os componentes dos venenos e neutralizou a letalidade de todas as espécies.

- The relationship between clinics and the venom of the causative Amazon pit viper (Bothrops atrox). Moura-da-Silva AM, Contreras-Bernal JC, Cirilo Gimenes SN, Freitas-de-Sousa LA, Portes-Junior JA, da Silva Peixoto P, Kei Iwai L, Mourão de Moura V, Ferreira Bisneto P, Lacerda M, Mendonça da Silva I, de Lima Ferreira LC, Silva de Oliveira S, Hui Wen F, de Almeida Gonçalves Sachett J, Monteiro WM. PLoS Negl Trop Dis. 2020 Jun 8;14(6):e0008299. doi: 10.1371/journal.pntd.0008299. Neste estudo, em parceria com pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical de Manaus, correlacionamos a composição individual do veneno da serpente trazida ao hospital pelo paciente com os sinais clínicos observados no mesmo paciente. Com uma abordagem translacional conseguimos caracterizar as correlações estatísticas entre cada um dos sintomas principais dos envenenamentos e a abundância de cada uma das isoformas de toxinas presentes nos venenos.

         - Phylogenetically diverse diets favor more complex venoms in North American pitvipers. Holding ML, Strickland JL, Rautsaw RM, Hofmann EP, Mason AJ, Hogan MP, Nystrom GS, Ellsworth SA, Colston TJ, Borja M, Castañeda-Gaytán G, Grünwald CI, Jones JM, Freitas-de-Sousa LA, Viala VL, Margres MJ, Hingst-Zaher E, Junqueira-de-Azevedo ILM, Moura-da-Silva AM, Grazziotin FG, Gibbs HL, Rokyta DR, Parkinson CL.. Proc Natl Acad Sci U S A. 2021 Apr 27;118(17):e2015579118. doi:10.1073/pnas.2015579118. Este trabalho é resultado da nossa colaboração internacional dentro do programa Dimensions of Biodiversity da FAPESP e NSF. Os resultados apresentados são um avanço no conhecimento da ecologia das serpentes e evolução dos componentes do veneno de acordo com a diversidade da dieta.

 


Atuais

Thaís Lemos Lima   – Mestrado (sem bolsa)

Tatiana Marisol Parra Moreno–  Candidata ao mestrado

Alex Freitas - Iniciação científica

Heimar Daniel Gutiérrez Mora - Candidato ao mestrado

 

Egressos

2025- Marina Almeida de Souza - Especialização em Toxinas de Interesse em Saúde

2025- Emilly Campos Tioyama  – Treinamento Técnico Nível 4 (TT-IV) (FAPESP 2023/01651-7)

2025- Tatiana Marisol Parra Moreno  – Trabalho de conclusão de curso

2025- Natalia Cely Alarcón  – Trabalho de conclusão de curso

2025- Heimar Daniel Gutiérrez Mora - Estágio Obrigatório

2024- Thaís Lemos Lima - Especialização em Toxinas de Interesse em Saúde

2024- Julieth Andrea Nino Mendoza  – Trabalho de conclusão de curso

2024- Kimberly Carolina Mateus Rincón  – Trabalho de conclusão de curso

2023- Emilly Campos Tioyama  – Mestrado (Bolsista Fundação Butantan)

2023- Gabriela Drigo Galan Ladeira - Estágio Obrigatório

2023- Victor Luigi Costa Silva -  Estágio Obrigatório

2019- Emilly Campos Tioyama  – Trabalho de conclusão de curso

 


Concluídos

Projeto de Pesquisa - Regular - Fluxo Contínuo

Título: Estudo da capacidade pró-inflamatória de exsudatos produzidos a partir da ação de metaloproteinases de veneno de serpentes em modelos murinos.

Número do processo FAPESP: 2022/10722-2  Vigência: 01/02/2023 a 31/01/2025

 

Bolsa de Pós-Doutorado

Título: Escalas da Biodiversidade- estudos integrados da evolução de serpentes e função do veneno

Bolsista: Luciana Aparecida Freitas de Sousa

Número do processo FAPESP: 2017/24546-3

Período de vigência da bolsa: 01/02/2018 a 31/05/2021.

 

Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior

Título: Mecanismos moleculares envolvidos na variabilidade fenotípica de venenos de serpentes classificadas dentro do mesmo grupo (Bothrops)

Bolsista: Luciana Aparecida Freitas de Sousa

Número do processo FAPESP: 2018/08589-7

Período de vigência da bolsa: 04/08/2018 a 03/12/2018


Instituto Multidisciplinar em Saúde - Universidade Universidade Federal da Bahia

Escola Superior de Ciências da Saúde - Universidade do Estado do Amazonas

Instituto de Ciências Biológicas - Universidade Federal de Roraima

Faculdade de Ciências Farmacêuticas- Unesp

Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia - Colômbia

Universidad Nacional Mayor de San Marcos - Perú

Florida State University - USA

 


-Prêmios

2019- Menção Honrosa no Prêmio Jovem Cientista na categoria Pós-doutorado, 21ª Reunião Científica Anual do Instituto Butantan.

2008- Primeiro lugar na apresentação oral do trabalho: Evaluation of the anti- hemorrhagic activity of the aqueous extract and essential oil of Myrcia guianensis against the venom of Bothrops jararaca in mice, III Encontro Butantan Amazônia.

 

- Entrevistas

2022 - Mulheres do Butantan se ajudam a conquistar espaço no meio da ciência - Revista Exame

Matéria completa em: https://classic.exame.com/ciencia/mulheres-do-butantan-se-ajudam-a-conquistar-espaco-no-meio-da-ciencia/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento